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terça-feira, 9 de setembro de 2008

Simone Oliveira, permacultura brasileira, escreve lá da Austrália...

O texto abaixo foi escrito por Simone Oliveira, uma colega permacultora brasileira, mas residente na Austrália. Foi publicado na lista de discussão permacultura@permacultura.org.br, quando da discussão sobre cursos e preços. Gostei tanto que pedi sua autorização para publicá-lo aqui. Seguem suas palavras...

Olá a todos!
Acho muito importante que permacultores e a sociedade em geral possam ter um canal aberto como esse para discutir, expressar opiniões, visando sempre o crescimento pessoal e profissional como foco principal, pois quando aceitamos as diferenças e conseguimos evoluir, tudo aquilo que nos cerca tambem sofre uma propulsão para a melhora. E, dessa forma, podemos acreditar numa sociedade mais justa e próspera.
Vivo na Austrália há três anos e tive a oportunidade de conhecer muitos permacultores daqui, participei de várias palestras e cursos, todos pagos!!! Isso jamais fez com que os participantes desmerecessem os professores ou palestrantes. Muito pelo contrário, todos tem conhecimento de que para que eles chegassem onde estão, os instrutores tiveram que trabalhar duro, investir em suas profissões. E todo investimento tem seu custo inicial, seja tempo, dinheiro ou o que for.
Bill Mollison em seus livros jamais falou que devemos trabalhar de graça ou coisa parecida. O fato de compartilhar tem um sentido bem mais amplo. Distribuir o excedente, trocar, tudo envolve trabalho. E nesse caso tudo é pago, seja em forma de dinheiro ou qualquer outro recurso. A diferença esta na forma de se ver o consumismo, na forma de valorizar cada coisa. O próprio Bill cobra por cada PDC que leciona e acreditem, não é barato!! Quanto cada um esta disposto a pagar por uma TV nova ou um curso PDC, vai de acordo com os valores pessoais do mesmo.
Acredito que para a permacultura se tornar viável deve sim existir a troca, não importa o que seja, até mesmo dinheiro. Cabe a cada um determinar o valor que ele pode pagar pela informação que precisa receber.
É importante, sem dúvida, que possamos oferecer cursos gratuitos à comunidade carente, escolas públicas, etc... Mas até que esse dia chegue os permacultores ainda têm que gerar renda suficiente para ajudar suas próprias familias.
À nossa ética cabe saber o ponto onde você passa a gerar tal 'excedente' que lhe traz a liberdade para oferecer cursos gratuitos.

Boa semana a todos!!
Simone Oliveira.
Paisagista e Permacultora.
email: sustainable.living@hotmail.com

5 comentários:

Anônimo disse...

Ontem mesmo estava conversando sobre os altíssimos preços dos PDC's.
Creio que para a Permacultura se tornar viável é lógico que a troca deva existir. É interessante também nos importarmos muito e termos consciencia do que estamos trocando. Acredito que a Permacultura é o caminho para um sistema focado em recursos. Não em lucros.
Nos PDC's, poderiam contar a história do dinheiro, dos banqueiros e de como tudo isso se tornou o que é hoje. A mudança ainda é possível. O dinheiro é apenas o produto de maior sucesso dos últimos tempos. O produto que recebeu mais propaganda. Acredito que o dinheiro deveria ser o último item numa lista de trocas de informações.

JP disse...

Não sei se eu concorco com o comentário do colega Alexandre. Eu não vejo como o lucro não existir nos cursos de permacultura. Afinal, a pessoa que tá dando o curso, que se dedica exclusivamente para as atividades de permacultura, aos treinamentos e cursos, vai ganhar dinheiro com o que? Pode ser que o dinheiro seja a grande cilada de todos os tempos, mas, no dia-a-dia as contas não esperam, precisa-se comer, viajar, vestir, entre outras coisas. Seria ótimo que todo permacultor pudesse fazer de forma voluntária, caso já tivesse uma renda de outra atividade, o que fica dificil, pois para ser um bom permacultor e ter experiência pra ensinar tem que viver isso todos os dias. Concluindo, acho interessante falar que a troca deve se basear em outras coisas, que não dinheiro, mas só acho interessante, mas pouco prático.

Anônimo disse...

Concordo com os colegas que o grande problema para desenvolver a permacultura no brasil é justamente a grana. Acredito que o permacultor deve sim receber algum ordenado, mas acredito que isso deveria ser feito pelo estado ou alguma entidade, pois pessoas que possuem um baixo poder aquisitivo, deixam de fazer algum curso ou de viver a permacultura justamente por causa de suas inviabilidades financeiras. A minha opinião é que a permacultura deveria ser inserida nos bairros periféricos das cidades, onde existem diversos problemas que poderiam ser resolvidos facilmente usando-se técnicas permaculturais. Enfim, é uma pena perceber que a permacultura no Brasil é extremamente elitizada.

JP disse...

Achei super interessante o que você escreveu e por isso fiquei doido pra (re)comentar.
Não só a permacultura, mas qualquer outra metodologia de trabalho com o social precisa de grana pra bancar as ações em si. Você já vê em alguns lugares pessoas escrevendo projetos e captando recursos. O que aconteceu é que viram na permacultura uma chance de capitalizar, ensinando essa metodologia e cobrando um preço em dinheiro (mem alguns casos muito alto). O Estado somos nós, então essas pessoas que aprenderam podem exigir dos nossos representantes que invistam na metodologia e, consequentemente, nos permacultores, dando-lhes algum ordenado e financiando materiais e obras, para que as pessoas que precisam possam ser beneficiadas. Por isso, mesmo assim eu vejo com olhos positivos as pessoas que estão cobrando caro pela permacultura, porque ainda assim estão formando permacultores.
É isso. Abraços!
JP - www.redepermanece.com

André disse...

como faço para participar desta lista?
permacultura@permacultura.org.br,
Abraços André
Centro Holos